Uma mancha de vinho em um pedaço de seda branca. Que desconforto quando algo sai fora dos planos. Um detalhado processo: alguém perigosamente desastrado (no caso você – na verdade, eu) projeta na mente que coordena seu corpo a se movimentar na direção intencionada de levar uma das mãos a segurar uma taça de vinho. A taça de vinho. Que no decorrer da sua degustação enquanto gesticula para que melhor o entendam durante uma conversação, acidentalmente roça com força e velocidade suficiente da física, para que a derrube, e serviço completo: uma toalha de mesa tragicamente manchada. Sim, estamos tratando de uma classe monetária elevada. Seda.
Voltando para nossa realidade mortal. É mais ou menos assim um relacionamento afetivo. O primeiro estágio, com exatidão maior. Chega como quem não quer nada, vai entrando lentamente enquanto tenta sentir onde pisa e... Bem vinda paixão! Ou qualquer outra coisa do gênero sem denominação. Com os olhos vendados apenas lhe restam mãos desatadas para fazer o que tem de fazer. A responsabilidade é sua de acertar ou errar. O tempo ganha a confiança que aos poucos se torna sua aliada. Tem de tatear com toda a sutileza. Tudo vai indo otimamente bem. De repente, deixa de pisar num campo minado e se eleva às nuvens...até que por um mínimo segundo de descuido, a taça de vinho volta a nossa história. Inexperiência, insegurança, o medo do desconhecido, a miopia do futuro por mais prévia que seja, fazem seus canais lacrimais perderem o controle, e sua mente, o racional.
Simplificando, alguém tem a receita, a fórmula ou a matéria detalhada, sobre o amor? Só por ventura, eu ter controle sob o leme. Grata.
Anna Diegues
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