segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Nem Freud explica

Uma mancha de vinho em um pedaço de seda branca. Que desconforto quando algo sai fora dos planos. Um detalhado processo: alguém perigosamente desastrado (no caso você – na verdade, eu) projeta na mente que coordena seu corpo a se movimentar na direção intencionada de levar uma das mãos a segurar uma taça de vinho. A taça de vinho. Que no decorrer da sua degustação enquanto gesticula para que melhor o entendam durante uma conversação, acidentalmente roça com força e velocidade suficiente da física, para que a derrube, e serviço completo: uma toalha de mesa tragicamente manchada. Sim, estamos tratando de uma classe monetária elevada. Seda.
Voltando para nossa realidade mortal. É mais ou menos assim um relacionamento afetivo. O primeiro estágio, com exatidão maior. Chega como quem não quer nada, vai entrando lentamente enquanto tenta sentir onde pisa e... Bem vinda paixão! Ou qualquer outra coisa do gênero sem denominação. Com os olhos vendados apenas lhe restam mãos desatadas para fazer o que tem de fazer. A responsabilidade é sua de acertar ou errar. O tempo ganha a confiança que aos poucos se torna sua aliada. Tem de tatear com toda a sutileza. Tudo vai indo otimamente bem. De repente, deixa de pisar num campo minado e se eleva às nuvens...até que por um mínimo segundo de descuido, a taça de vinho volta a nossa história. Inexperiência, insegurança, o medo do desconhecido, a miopia do futuro por mais prévia que seja, fazem seus canais lacrimais perderem o controle, e sua mente, o racional.
Simplificando, alguém tem a receita, a fórmula ou a matéria detalhada, sobre o amor? Só por ventura, eu ter controle sob o leme. Grata.

Anna Diegues

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Platônico. Ou não.

Quero um amor inventado, dos meus sonhos criado, meu príncipe encantado. Quero um amor engraçado, de sorriso apaixonado e beijo roubado. Quero que o tempo congele, o coração acelere só de te ver. Quero que me deixe sem graça, sem conseguir dizer nada ao sustentar meu olhar. Quero um amor imperfeito, só basta respeito que orgulhe meu peito. Quero andar ao seu lado, no escuro ou no claro, de olhos fechados. Quero um abrigo, um refúgio, um amigo, um escudo, meu porto-seguro. Quero sua cara de sono, de cachorro sem dono pra poder te aninhar. Quero um amor explosivo, te acariciar sem motivo ao te ver acordar. Quero um amor racional, jamais visto igual.

Anna Diegues

domingo, 10 de janeiro de 2010

2010

"Ano novo, vida nova." Velho bordão. A passagem de um ano para o outro é sempre uma motivação a projetar novamente os desejos "não-cumpridos". Algumas vezes simplesmente esses, nem são passados para o papel. Apenas ideias revolucionarias perdidas no tempo. Outros, formam uma lista, que porém, a partir desta não saem. Vontade. Decidi mudar a história. As aspirações não ficarão dessa vez apenas vagando sem rumo por minha mente. Terão destino.
Primeiro passo, papel. Epa. Um blog é virtual. Ah! claro. Papel, depois; login, postagem, caixa de texto. Segundo passo, ideias. Não. Desejos. Se encaixa melhor. Sem seguir com o padrão de início, meio e fim, fica fácil listar ações a serem colocadas em prática, ou no mínimo tentadas. Difícil é capturar todas que voam em minha mente a menos de um piscar de olhos. Não custa tentar.
Despertar, no caso, para a realidade mesmo...a qual considero estar meio desconectada. Conhecer. Pessoas; garotos, garotas, homens, mulheres, idosos ou idosas...não importa. Quem valha a pena passar pela minha vida. Lugares; cidades, quem sabe de estados desconhecidos...países ainda não me atrevo. Por enquanto. Conquistar; Espaço, quem eu queira, enfim. Aprender; sobre a vida. Novas amizades - ou conhecidos, já que não sou exigente. Arriscar, em diferentes aspectos. Por que não? Nada tenho a perder. Ter consciencia de que respiro. Agradecer; a cada detalhe que se soma. Tropeçar. Rir depois. Cair. Me levantar e tirar proveito, aprender uma nova lição. Dar valor; a tudo. Me exercitar, caminhar, academia, passear com a minha cachorra. Chega de puro sedentarismo. Explorar. Experimentar coisas novas, quem sabe sensações novas. Lógico, respeito limites. Diminuir a gulodice; um é suficiente, para que somar? Emagrecer, se possível. Força de vontade. Persistência. Música. Muita música. Aprender a cantar todas que conheço e ainda não sei, junto com as quais virei a escutar. Me permitir. Felicidade. Bem estar. Saúde; preservar. Reconhecer os erros. Deixar orgulhos de lado. Sorrir. Muito. Gargalhar. Chorar. Ter alguém para reconfortar. Olhar para trás sem ressentimento, apenas mais uma lembrança. Me apaixonar; uma, duas, diversas vezes, quantas necessárias até o amor encontrar. Curtir. Fazer valer. Tomar banho de chuva; dane-se o cabelo. Ir para a balada. Dançar. Shows; me arrepiar. Beijar, abraçar, conversar. Dar apoio e receber. Confiar. Desconfiar. Apostar. Ver o dia amanhecer. Estar com quem me faça bem. Me dedicar. Extravasar. Comer bobagens - às vezes - sem culpa. Alugar e assistir meu seriado preferido, o dia inteiro, acampada. Crédito para ligar além dos números da mesma operadora. Uma máquina fotográfica profissional. Não. Longe demais. Saúde e proximidade dos meus familiares. Ser mais interativa. Deixar a timidez de lado. Argumentar. Sonhar. Jamais abandonar as esperanças. Acreditar... Se reinventar!
São inúmeras tentativas, umas podem falhar, outras funcionar. Mas nunca é tarde para recomeçar, viver. Nada antes disso. Me descobrir. É. Talvez...
Na virada pulei as sete ondas, porém os desejos se desmancharam com elas em seus fins sem eu os ter pronunciado, mesmo que mentalmente. Pois então, deixo aqui, os votos da minha tentativa de felicidade.
E que o universo conspire por todos nós!


Anna Diegues